terça-feira, 29 de novembro de 2011
Horta e Flores
Escrevo-te, Fernanda, porque eu só queria te dizer que mesmo sem você aqui comigo, eu tô sendo forte, meu bem, que mesmo longe e magoado eu ainda encontro forças em ti pra levantar da cama, mesmo que seja só pra ler o jornal ou tomar um café do outro dia. Aquele encanamento quebrado no banheiro já não me tira do sério como antes, nem mesmo reclamo por ter que levantar de madrugada para tentar conter o pinga-pinga da pia da cozinha, a verdade é que sua ausência fez um reparo danado em minhas manias; o teto criou goteiras, ando sobre poças durante as chuvas fortes e eu sei o que dirá, mas não abandonarei nossa casa, nenhuma outra me trará lembranças iguais ou terá seu toque na decoração. O que achas de renovar o aluguel por mais um ano? É tempo suficiente para que tu voltes? Pensei também em começar uma horta, pra me distrair, sabe? Quando tu tiveres teus afazeres, eu posso cuidar dela e acabar cultivando as flores que tanto quero te dar todos os dias. Lírios, certo? Não me falha o faro pro teu gosto, deve continuar a mesma do jeito que detesta mudanças. Talvez por isso não me prolongue nos pormenores, sei o quanto detesta detalhes. Quero que voltes logo, meu amor, essa espera tardia está me cansando, o tic-tac do relógio falha de tanto que já contou meus minutos no aguardo. Me traga umas uvas do caminho, sabes o quanto gosto no café-da-manhã. Com muito amor...
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Muito bom. rs
ResponderExcluir